O desemprego entre as mulheres caiu, e a participação feminina no serviço público cresceu em 2009, mas a renda média delas ainda é inferior à dos homens – é o que mostra uma pesquisa sobre emprego e desemprego na Região Metropolitana, divulgada na semana que passou. A coleta e análise de dados foi realizada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) em parceria com a Fundação Gaúcha de Trabalho e Ação Social (Fgtas), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).
A participação no mercado de trabalho caiu em 2009. O dado reflete a quantidade de pessoas em idade economicamente ativa (superior a 10 anos) que estão ocupadas ou buscando ocupação. Em 2008, a participação das mulheres foi de 51,4% e, em 2009, foi de 50,7%. No caso dos homens, a queda foi de 66,9% para 66,5%. Na área pesquisada, elas representam 45,2% dos trabalhadores.
Segundo Eduardo Schneider, economista do Dieese, em períodos de crise, parte da população perde o emprego ou fica desestimulada para procurar. Para o economista, houve avanços na redução da desigualdade, mas em ritmo lento. Schneider destaca que a participação feminina aumentou muito ante 1993, quando era de 44,5%:
– Isso quer dizer que as mulheres estão saindo do ambiente submisso do lar e buscando empregos, elas estão saindo da inatividade.
Com regras democráticas, setor público virou opção
Em 2009, as mulheres representaram 56,1% dos desempregados, menos que em 2008, quando eram 58,1%. De modo geral, o desemprego se manteve estável em 11,1%. A socióloga Irene Galeazzi, da FGTAS, explica que o resultado é bom dentro do contexto de crise do ano passado.
A desigualdade entre os gêneros se evidencia na remuneração: a dos homens é de R$ 1.392, e a das mulheres é de R$ 1.034. Enquanto a renda deles aumentou 4,3%, a delas subiu 2%. Uma das explicações para a diferença é o fato de que a participação feminina é maior em setores com menores salários e com menos chances de ascensão, como o de serviços, que emprega 57,7% delas, diz Irene:
– Ainda há muitas mulheres em trabalhos considerados tipicamente femininos e que pagam menos, como saúde, educação e cuidados pessoais.
O aumento do número de trabalhadoras no serviço público foi expressivo no ano passado. Enquanto a quantidade de homens se manteve praticamente a mesma, a presença delas aumentou em 5 mil. Para René Kapitansky, diretor de gestão pública da Associação Brasileira de Recursos Humanos, isso se deve ao fato de que a forma de seleção é democrática e ignora fatores como gênero ou raça.
– Estão se interessando pelos salários atraentes, principalmente na esfera federal – explica.
No serviço doméstico, 96,6% dos trabalhadores são do sexo feminino. Houve aumento da escolaridade e do rendimento mensal. No entanto, chama a atenção a presença de negras, que, embora não sejam maioria, estão proporcionalmente mais presentes nesse setor do que em outros.
Fonte: Zero Hora - 07/03/2010 |